Os arquétipos e Carl Jung: quem não busca o autoconhecimento está fadado a cometer os mesmos erros – REPETIDAMENTE!!!!

 


Por influência de minha mãe, filósofa e psicóloga, sempre gostei muito de ler, não só em meu campo profissional (livros jurídicos), mas também sobre filosofia e psicologia. Ainda muito jovem eu tive a imensa satisfação de debruçar-me sobre os ensinamentos de Carl Jung, um gigante da psicologia analítica, com trabalho pioneiro no estudo do inconsciente humano, além de estudos na filosofia, mitologia, religião, antropologia e alquimia.

A reflexão, portanto, tratará de alguns dos arquétipos, contudo, de modo extremamente superficial, ressalvando-se, desde já, que sou apenas uma curiosa leitora das ciências voltadas ao conhecimento da mente. Sou jurista e não tenho formação em psicologia.

Os arquétipos, como conceituados por Carl Jung, são, em brevíssima síntese, padrões universais que residem no inconsciente coletivo e exercem influência sobre nossos pensamentos, sentimentos e ações. Quando esses padrões não estão equilibrados, podem desencadear uma série de consequências adversas em nossa psique. Erika rocha

Por psique, entenda-se a totalidade da mente humana, incluindo aspectos conscientes e inconscientes.

Um desequilíbrio comum dar-se-á quando um arquétipo é dominante demais. Por exemplo, alguém pode estar excessivamente identificado com o arquétipo do herói, sempre buscando desafios e reconhecimento externo, ignorando assim suas necessidades emocionais mais profundas. Isso pode resultar em sentimentos de vazio interior e isolamento emocional.

Outro, terrível, é quando ocorre o excesso do arquétipo do Trickster, ou seja, o lado astuto e enganador de nossa psique, o que pode resultar em pessoas manipuladoras, que estão sempre buscando enganar e ludibriar os outros para que atendam às suas próprias necessidades. Por muito comum, vale mencionar algumas das causas que levam a isso: experiências de trauma ou abuso fazendo com que a pessoa desenvolva mecanismos de defesa adaptativos, como o comportamento enganador e manipulador; o enfrentamento de fracassos repetidos ou experiências de rejeição pode levar à adoção de uma postura mais cínica e desconfiada em relação aos outros, situações em que uma pessoa se sente impotente ou sem controle sobre sua vida, para recuperar um senso de poder e autonomia, manifestada em comportamentos desafiadores ou antissociais e, por fim, inúmeros casos de crianças que nascem em um ambiente familiar disfuncional, onde as normas são violadas e as regras são frequentemente desafiadas, surgindo como uma forma de aprender a sobreviver em um ambiente caótico com estratégias de adaptação baseadas na manipulação. Erika rocha

Outra forma de desequilíbrio é quando um arquétipo é reprimido ou negado. Por exemplo, alguém pode suprimir o arquétipo da sombra, evitando confrontar (e integrar) seus aspectos mais obscuros e indesejáveis. Isso pode levar a comportamentos auto sabotadores e relacionamentos interpessoais conturbados, nos quais aspectos não reconhecidos da própria personalidade são projetados nos outros. Muitos já devem ter ouvido uma frase, comum entre os estudiosos da psicologia, atribuída a Carl Jung: “aquilo que incomoda no outro, existe em você.”

A ideia relaciona-se ao conceito de projeção, que Jung descreveu como um mecanismo de defesa psicológica no qual aspectos indesejados ou não reconhecidos da própria personalidade são atribuídos a outras pessoas. É bem assim, tendemos a projetar nossas próprias qualidades, desejos ou medos nos outros, muitas vezes de forma inconsciente.

Esses desequilíbrios nos arquétipos podem se manifestar em diversos aspectos da vida, como dificuldades nos relacionamentos, questões emocionais não resolvidas e problemas de saúde mental. Uma pessoa que vive de acordo com um arquétipo distorcido da mãe pode experimentar dificuldades em estabelecer limites saudáveis e, consequentemente, desenvolver relacionamentos codependentes. Erika rocha

Entretanto, é importante compreender que esses desajustes também podem servir como oportunidades para o crescimento pessoal. Ao reconhecer e explorar esses padrões disfuncionais, podemos iniciar um processo de autodescoberta e cura emocional, integrando os aspectos negligenciados da nossa psique, impondo-se que trabalhemos para restaurar o equilíbrio e a integração desses padrões.

A busca do autoconhecimento, seja pela leitura constante, notadamente da filosofia e da psicologia, terapias, constelações familiares, entre outros, são essenciais para o desenvolvimento de relações saudáveis, conhecendo e integrando nossas sombras, cultivando uma maior autenticidade, plenitude e bem-estar.

Quem não se conhece e não conhece da história está fadado a cometer, repetidamente, os mesmos erros!

Erika Rocha

Pré-candidata à vereadora pelo Partido Novo.


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