Por que mulheres não votam em mulheres: Elas são machistas?

 


A participação política das mulheres ao longo da história tem sido marcada por desafios e obstáculos; um dos fenômenos que merece atenção é a ausência do voto feminino em candidatas mulheres. Essa realidade é reflexo das estruturas patriarcais e do machismo enraizado na sociedade, que perpetua estereótipos de gênero e impõe barreiras à representatividade feminina.

A estrutura patriarcal, que coloca os homens no centro do poder e da tomada de decisões, tem sido um fator determinante na sub-representação das mulheres na política. Ao longo dos séculos, elas foram excluídas de espaços políticos (vide Hannah Arendt: a condição humana) e suas vozes silenciadas, o que criou uma desigualdade persistente na participação política.

Nas eleições de 2022, constatou-se que, dos 156.454.011 de indivíduos que poderiam votar no pleito, 82.373.164 eram do gênero feminino e 74.044.065 do masculino. O número de eleitoras representa, portanto, 52,65% do eleitorado, enquanto o de homens equivale a 47,33%. Apesar disso, se pensarmos em nosso Estado, na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), temos 36 deputados estaduais e apenas 06 mulheres, o que representa cerca de 16% da bancada; sendo ainda pior na câmara dos vereadores, com apenas uma representante, Elisa Virgínia.

Por outro lado, aos quatro cantos, surgem reclamações sobre a ausência de leis que atendam às necessidades e anseios femininos.

Será que elas também são machistas?

Antes de entrar no conceito irei colocar algumas questões para refletirmos juntos. Você já ouviu, em rodas de amigos, mulheres falarem mal umas das outras, da roupa, do sapato, da casa ou do marido? Já viu rivalidade, com intrigas e fofocas?

Será que você já viu uma mulher observar uma outra, sem nem conhecer sua vida, história e fazer comentários como: “você viu, fulana, já tá namorando outro, parece uma put****!”

Será que mulheres desvalorizam outras e, em alguns casos, até incidem crimes, a exemplo da difamação, tipificado no artigo 139 do código penal? Sim! E, não há graça nenhuma na constatação, trata-se de algo gravíssimo.

Muitas mulheres são machistas!!! O machismo não é atrelado a nenhuma essência biofisiológica; aliás, que elas sejam é parte intrínseca da manutenção de valores patriarcais.

O machismo é um comportamento, expresso por opiniões e atitudes, que rejeita e se opõe à igualdade de direitos entre os gêneros, favorecendo o masculino em detrimento do feminino.

Na prática, uma pessoa machista é aquela que acredita que os papéis designados aos homens prevalecem em valor aos designados às mulheres, bem como não reconhece, às mulheres, os mesmos direitos, colocando-as como inferior aos homens, tanto do ponto de vista físico quanto intelectual e social.

Contudo, é muito comum atribuirmos o machismo somente aos homens, ocorre que a falta de representatividade da mulher na política nos fala algo diferente; se a maioria das eleitoras são mulheres e dos eleitos são homens significa dizer que mulheres não votam em outras mulheres!

Contribui para isso a estrutura lógica patriarcal, na qual a família é formada colocando-se a figura do homem/pai em posição de superioridade, enquanto a mulher é colocada em posição de submissão, inferior ao homem . Em “A Dominação Masculina”, Bourdieu (1999) enfatiza que a violência e dominação simbólicas de gênero persistem porque se inscrevem nos habitus masculinos e femininos - disposições corporais, emocionais e mentais produzidas pelas estruturas de dominação e reproduzidas inconscientemente (eis o aspecto mais perigo – a falta de consciência disso!)

Portanto, a baixíssima participação da mulher na política e a falta de confiança em candidatas precisa mudar. Com isso, não estou a defender que mulher vote em mulher tão somente por ser do sexo feminino, tampouco que se vote em homens porque são homens, o critério definidor do voto é a detida análise acerca da capacidade técnica, da idoneidade moral e da competência. Assim, em se constatando o valor de uma determinada candidata, as mulheres precisam despertar, reagir e não deixar de votar tão somente por ser mulher.

Que, ao se depararem com candidatas capacitadas e dignas, mulheres possam votar umas nas outras; note-se que elas, na política, têm priorizado questões cruciais como saúde, educação, direitos reprodutivos e o combate à violência contra a mulher, desafiando estereótipos de gênero e inspirando futuras gerações, ou seja, o fim desse preconceito é um imperativo para o desenvolvimento de sociedades mais justas, organizadas, humanas e eficientes.

Erika Rocha

Pré-candidata à vereadora de João Pessoa pelo Partido NOVO.


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